Eficácia da Imunoterapia em casos de Asma

A asma é uma doença inflamatória crônica muito comum, afetando cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo. A inflamação das vias aéreas está associada à hiperresponsividade, que leva a episódios recorrentes de sibilância, dispneia, opressão torácica e tosse, bem como obstrução variável ao fluxo aéreo, que pode se tornar permanente devido ao remodelamento das vias aéreas. A asma não está associada exclusivamente à atopia; contudo, mais de 50% da população asmática é atópica. Por outro lado, apenas uma fração dos indivíduos alérgicos desenvolvem asma. Assim, a fisiopatologia da asma é muito complexa, sendo que atualmente os asmáticos são classificados em fenótipos e endótipos.

As terapias atuais para asma podem efetivamente controlar os sintomas e o processo inflamatório nas vias aéreas; no entanto, eles não afetam a resposta imune desregulada subjacente. A imunoterapia específica para alérgenos é o único tratamento capaz de atuar na etiologia da asma alérgica, como demonstrado pela prevenção tanto do início de novas sensibilizações alérgicas quanto da progressão da doença, sendo uma modalidade com potencial curativo [1].

A imunoterapia envolve a administração repetida de extratos alergênicos, a fim de induzir tolerância clínica e imunológica ao alérgeno sensibilizante. As duas rotas mais comumente prescritas são subcutânea (SCIT) e sublingual (SLIT). A via sublingual surgiu como uma alternativa eficaz e segura à administração subcutânea. A seleção dos pacientes é muito importante para o sucesso do tratamento, com a comprovação da sensibilização por meio de exames in vivo (prick test) ou in vitro (Ige específicos por alérgeno), especialmente a ácaros ou a pólens.

Ambos SCIT e SLIT têm mostrado resultados promissores na asma. Numerosos estudos duplo-cegos e controlados com placebo confirmaram que SLIT e SCIT são eficazes na redução dos escores de sintomas e do uso de medicação, melhorando a qualidade de vida na asma [1, 2]. No geral, evidências moderadas a altas foram encontradas para a eficácia e segurança tanto do SCIT quanto do SLIT no tratamento da asma alérgica, e não foi possível avaliar a superioridade de qualquer uma das rotas em relação à outra [3, 4].

De acordo com o relatório da GINA (Global Initiative for Asthma) atualizado em 2018, a imunoterapia deve ser considerada em pacientes asmáticos mal controlados já em uso de corticóde inalado, com rinite e/ou conjuntivite alérgicas, sensibilizados a ácaros e que estejam com VEF1>70% do previsto. A evidência para a eficácia da SCIT foi analisada na revisão Cochrane, que relatou uma eficácia clínica global; isto é, reduções nos escores de sintomas de asma, uso de medicamentos e hiperreatividade brônquica [5]. Em uma revisão limitada a uma população pediátrica que recebeu SCIT, SLIT ou tratamento usual, concluiu-se que a SCIT reduz os sintomas e os escores de medicação, enquanto a SLIT pode melhorar os sintomas de asma [6].

Com relação às contraindicações, considera-se que pacientes com asma grave ou não controlada não devem receber imunoterapia [1]. A duração ideal para um curso imunoterapia ainda é uma questão de debate, especialmente para SLIT. Um estudo recente em crianças asmáticas mostrou que 3 anos de SCIT é uma duração adequada para o tratamento da asma em indivíduos alérgicos a HDM [7].

 


Dr. Marcelo Tuleski
Pneumologista
CRM PR-18366

 

 

Referências:

1.Burks AW, Calderon MA, Casale T, Cox L, Demoly P,Jutel M, et al. Update on allergy immunotherapy: American Academy of Allergy, Asthma & Immunology/European Academy of Allergy and Clinical Immunology/PRACTALL consensus report. J AllergyClin Immunol. 2013;131(5):1288–96 e1283.

2.Calderon MA, Casale T, Cox L, Akdis CA, Burks AW, Nelson HS, et al. Allergen immunotherapy: a new semantic framework from the European Academy of Allergy and Clinical Immunology/American Academy of Allergy, Asthma and Immunology/PRACTALL consensus report. Allergy.2013;68(7):825–8.

3.Lin SY, Erekosima N, Suarez-Cuervo C, Ramanathan M, Kim JM, Ward D, et al. Agency for healthcare research and quality (US); 2013 Mar. Report No.: 13–EHC061-EF. AHRQ Comparative Effectiveness Reviews; 2013.

4.Lin SY, Erekosima N, Kim JM, Ramanathan M, Suarez-Cuervo C, Chelladurai Y, et al. Sublingual immunotherapy for the treatment of allergic rhinoconjunctivitis and asthma: a systematic review. JAMA. 2013;309(12):1278–88

5.Abramson MJ, Puy RM, Weiner JM. Injection allergen immunotherapy for asthma. Cochrane Database Syst Rev. 2010;(8):CD001186.

6. Kim JM, Lin SY, Suarez-Cuervo C, Chelladurai Y,Ramanathan M, Segal JB, et al. Allergen-specificimmunotherapy for pediatric asthma andrhinoconjunctivitis: a systematic review. Pediatrics.2013;131(6):1155–67.

7.Stelmach I, Sobocinska A, Majak P, Smejda K,Jerzynska J, Stelmach W. Comparison of the longterm efficacy of 3- and 5-year house dust mite allergen immunotherapy. Ann Allergy Asthma Immunol.2012;109(4):274–8.

 


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